Airas Nunes ( Séc. XIII)

Clérigo compostelano, talvez jogral ou eclesiástico na corte castelhana. Foi numa destas qualidades que, segundo informa numa cantiga, acompanhou o rei numa peregrinação a Santiago, o que teria acontecido em 1286 ou em 1291 (Carolina Michaëlis, Cancioneiro da Ajuda, II, pag. 583), ou ainda em 1272, sendo o rei ainda infante (José Joaquim Nunes, Cantigas d´Amigo dos Trovadores Galego - Portugueses, I, pag.220), no caso de se tratar de Sancho IV. Segundo Lopez Ferreiro, opinião que Carolina Michaëlis não adopta (obra citada), a peregrinação a que o poeta alude seria a de S. Fernando em 1232.
Compôs cantigas de amor, de amigo, de escárnio e mal - dizer, sendo de destacar no seu repertório a maravilhosa “cantiga” cujo estilo não cabe dentro do formalismo dos dois géneros líricos teorizados na poética fragmentária. A par de um imaginoso aproveitamento da tradição popular de que surte a bailada das avelaneiras, a sua obra - prima, Airas Nunes segue engenhosamente a escola provençal, cuja língua utiliza em duas cantigas de amor. É, indiscutivelmente, um dos maiores poetas do séc. XIII.

In: Cantares dos Trovadores Galego - Portugueses de Natália Correia - Editorial Estampa - 1970