Mohâmede ibne Abade Almutâmide (1040 - 1095)


Mohâmede ibne Abade Almutâmide é um dos grandes poeta do Islão e, certamente, como diz Nykl, o mais notável dos poetas hispano - árabes da segunda metade do século XI.
Nascido em Beja, em 1040, de uma família de poetas, após ter governado, nominalmente, Silves, vem a ocupar o trono do reino taifa de Sevilha, em 1069, sucedendo a seu pai, o cruel e astucioso Almutâdid. Em 1091, para enfrentar, Afonso VI de Castela, solicita o auxílio de Yusuf ibn Tasufin, senhor dos Almorávidas. Este, após desbaratar as hostes cristãs, vira-se contra os reinos taifas, que conquista, um por um. Também Almutâmide é vencido, após dura peleja, e Sevilha conquistada. O infortunado rei é desterrado para Agmat, no interior de Marrocos, onde virá a morrer.
Aí o poeta é forçado a uma existência de miséria e reduzido ao presídio e às grilhetas. Entre a memória de um passado auspicioso e um amargurado presente vive Almutâmide o seu drama pessoal, que exprime em versos de excepcional força lírica. Da adversidade faz uma elegia. Das tristezas do quotidiano extrai poesia: um bando de aves entrevisto das grades da cela; a grilheta que lhe rói o tornozelo …
Morre em 1095, não sem antes ter escrito um poema para o seu epitáfio. A sua personalidade, o seu drama e arte comoveram a gente do seu tempo. Ainda hoje a sua memória, ligada à trágica amizade com ibn Ammar, permanece viva, muito em especial no mundo árabe; tanto assim, que o seu túmulo em Agmat é objecto de piedosas romagens de muçulmanos.

Adalberto Alves