António Ramos Rosa (1924)


António Vitor Ramos Rosa nasceu em Faro em 1924. Poeta e ensaísta, vemo-lo, nesta qualidade, na origem e direcção de duas publicações: Árvore e Cadernos do Meio-Dia.
Após uma intensa colaboração em revistas literárias, só em 1958 reuniu algumas das suas poesias no pequeno volume O Grito Claro, seguindo-se-lhe: Viagem através duma Nebulosa (1960), Voz Inicial (1961), Sobre o Rosto da Terra (1961), Ocupação do Espaço (1963) e Terrear (1964). Publicou ainda o ensaio Poesia, Liberdade Livre (1962).
Ao realismo da primeira fase, sucedeu-se uma determinação lúcida de conquistar um âmbito poético intocado pela multímoda expressão surrealista. Neste sentido, o inventário das mais modernas experiências europeias, serve- -lhe de matéria laboratorial para a síntese procurada, fazendo prevalecer na sua poesia a disciplina necessária à investigação das formas com um possível prejuízo consequencial da evasão lírica. Inevitávelmente, a sua poesia se converte, não raro, numa arte poética na qual a palavra é surpreendida como substância do poema, facto este que justifica ser ela valorizada na base da tentativa de renovação formal da última poesia.


In: Natália Correia - Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica Antígona - 1999