José Carlos Ary dos Santos (1937 - 1984)


Nasceu em Lisboa em 1937 e onde morreu em 1984. Frequentou as Faculdades de Direito e de Letras sem ter concluído qualquer dos cursos. Foi técnico de publicidade.
O poeta surgiu no panorama literário com o volume de versos Liturgia do Sangue (1963), onde escassamente deixou entrever a originalidade que viria a revelar em Adereços, Endereços (1964) e que lhe deu especial relevo entre os poetas da sua geração. Em 1964 publicou, também, Templo da Lenda das Amendoeiras (anterior a Adereços, Endereços), onde a sua poesia já se abre à vivacidade formal que o caracteriza.
Só por mera facilidade de enquadramento José Carlos Ary dos Santos pode ser considerado um poeta satírico no sentido em que Alexandre O´Neill exemplifica a tradição da sátira de costumes. Se o quisermos integrar no âmbito da sátira nacional, a sua filiação remontará antes, pelo jogo verbal, particularmente brilhante, à sátira individual, que os poetas do Cancioneiro Geral usaram como elemento dinamizador de matéria poética.
Ary dos Santos cultiva o género, não tanto pelo propósito satirizante (ver moralizante), mas pelo ensejo de satisfazer uma distorção da linguagem, na qual realiza uma originalidade formal, visto ser-lhe o formalismo génese da sua forma de expressão.
Por esta via, o poeta vai ao encontro do dadaísmo pré - surrealista, que pulveriza a ordem para descobrir a ordenação da desordem.


In: Natália Correia - Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica Antígona 1999