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Manuel Maria de Barbosa
du Bocage (1765 - 1805)
Nasceu em Setúbal em 1765, morreu em Lisboa em 1805.
Grande poeta - o maior do século XVIII português
- sentiu-se irmão de Camões na má
fortuna, nas andanças pelo Oriente, nos amores
infelizes.
Filho dum advogado já com tendências literárias,
cedo, ao que parece, se enamorou de Gertrudes, filha do
governador de Outão.
Tendo-se alistado na Marinha de Guerra em 1783, conhece
a boémia lisboeta e embarca em 1786 para Goa. Três
anos depois, promovido a tenente e colocado em Damão,
deserta, atraído por baixos amores (a volúvel
Manteiguy de Surrate), e dirige-se para Macau, donde regressa
à metrópole(1790).
Em Lisboa sem carreira, sem dinheiro, volta à estroinice
dos botequins e dos amores fáceis, nunca deixando
de poetar.
Livre pensamento, versos desbragados e costumes dissolutos
levam-no, todavia, à prisão (1797); entregue
ao poder inquisitorial, é condenado a receber doutrina
entre os oratorianos ; a semente cai em bom terreno e Bocage
diferente do que era, depressa recupera a liberdade. Esperam-no
o calvário de quem vive da pena( originais , traduções),
novos amores infelizes, a doença, a miséria.
Nas ideias, no sentir, como na estética literária,
Bocage reflecte uma época de transição.
Ode, canção, idílio, cançoneta,
cantata. Em Camões aprendeu a arte do soneto, e com
ela assimilou atitudes espirituais (introspecção,
ausência, desengano, gritos de alma
) Não
prescindiu do aparato mitológico, da expressão
guindada, convencional, latinizante. Foi, contudo, pré
- romântico pelo gosto da solidão e do horrível.
O repentismo e a sátira tornaram Bocage uma figura
proverbial: também aí, é certo, revelou
uma natureza privilegiada, mas acusou demasiado a influência
depressora do meio.
À beira da morte, faz um trágico exame de
consciência: Meu ser evaporei na lida insana...
/ Saiba morrer o que viver não soube
.
In: Cantares dos Trovadores Galego - Portugueses
de Natália Correia - Editorial Estampa - 1970
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