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João Roiz de
Castell - Branco (Séc.XV - XVI)
Ignoram-se as datas precisas de nascimento
e morte de João Roiz de Castell-Branco, mas é
seguro afirmar que este homónimo de Amato Lusitano
terá vivido entre finais de Quatrocentos e as primeiras
décadas do séc.XVI. Fidalgo da Casa Real de
D.Manuel (e, por morte deste, de D.João III), chegou
a desempenhar o cargo de contador da fazenda da Beira, para
o qual foi nomeado em 1515.
A obra poética de João Roiz de Castell - Branco,
hoje conhecida, resume-se a 4 composições
incluídas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.
Duas são trovas com contornos epistolares: numa,
dirigida a um amigo em Alcácer Ceguer, o autor traça
um quadro dos prazeres da vida em Portugal, contrapondo-lhes
riscos vários da experiência militar no Norte
de África; noutra, endereçada a um companheiro
em Lisboa, faz o elogio do retiro rústico em terras
beirãs, que opõe aos sobressaltos da vida
do paço e aos tormentos inglórios das expedições
ultramarinas. Muito em especial este texto ganha em ser
relacionado, quer com outros afins presentes no Cancioneiro
Geral, quer com a tradição de louvor da
aurea mediocritas que, em atenta imitação
dos clássicos, seria persistentemente cultivada pelos
poetas do séc. XVI. As restantes composições
são uma glosa a um vilancete castelhano (e neste
idioma também elaborado) e a cantiga Senhora,
partem tam tristes, justamente célebre
pela beleza, feita de rigor e harmonia, com que desenvolve
um tema recorrente no Cancioneiro Geral: a partida.
In: BIBLOS - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa
- 1995
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