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António Pereira
Nobre (1867 - 1900)
Nasceu no Porto em 1867, e morreu tuberculoso, na Foz do
Douro, em 1900, depois de ter, em vão, buscado recobrar
a saúde em viagens à Suíça,
Madeira, e Nova Iorque.
Da sua infância transmontana e poveira, sobre a qual
levou dobrada uma longa adolescência, ficou-lhe para
sempre egolátrica nostalgia.
Estudante, só na sua torre , em Coimbra,
na época sinistra em que ali cursou Direito
ele se sentia bem.
Uma noiva, mais ideal que concreta; um amigo,
esse real, Alberto de Oliveira, quase escravo do seu humor
fantástico e excessivo; breve intervenção,
através de revistas, na vida literária - não
lograram jamais conciliá-lo com a cidade académica
que duas vezes o reprovou, a ele , o criatura nova
, o poeta predestinado. Fugiu para Paris onde acabou por
se formar em Ciências Políticas na Sorbornne.
(
)A solidão, a escassez de meios agravada pela
morte do pai, confirmaram-no repúdio mórbido
do presente e do futuro, numa atitude romântico -
pessimista que o leva a proclamar o tédio e a sua
tísica de alma, mas atitude policiada,
na sua excessividade, por uma lúcida consciência
estética e um vivo sentido do ridículo.
In: J.Prado Coelho - Dicionário
de Literatura
Figueirinhas - 1978
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