Luís Vaz de Camões  (1524?- 1580)

  Impossível determinar a terra natal do poeta. Lisboa ? Coimbra? A sua formação cultural, essa decorreu porventura  em Coimbra, cidade em que o tio D. Bento de Camões era chanceler da Universidade e à qual o poeta se refere na Canção “ Vão as serenas águas ...”.

A sua estada em Ceuta, de que fala o seu primeiro biógrafo Pedro de Maniz, documenta-se com a elegia “Aquela que de amor descomedido”, e à perda em combate de um dos olhos se refere a Canção “ Vinde cá, meu tão certo secretário”.

Fora para Ceuta desterrado por “uns amores que, segundo dizem, tomou no Paço”? Não se sabe.

 Em tarde de procissão do Corpo de Deus, em consequência de rixa com Gonçalo Borges, que “tinha cárrego dos arreios do Rei”, é preso no Tronco da cidade. O Rei, por seu turno, lhe perdoa, porque “o suplicante é um mancebo e pobre e me vai este ano (1553) servir à Índia ...”.

Na Índia o Poeta não foi feliz.

Goa decepcionou-o, “Babilónia onde mana / matéria a quando mal o mundo cria”

No regresso a Portugal (1569) , encontrou-o  Diogo do Couto em Moçambique trabalhando nos seus Lusíadas, que foram publicados em 1572.

 Foi-lhe atribuída uma pensão de 15.000 réis, que lhe era paga com irregularidade, o que somado à  natural falta de tino administrativo do Poeta daria em resultado a penúria.

         Da sua vasta obra avulta o poema épico “Os Lusíadas” que “a exasperação nacionalista” da época eleva ao estatuto de “Evangelho nacional”.

A extensa obra lírica que produziu é composta por Redondilhas, Sonetos, Éclogas, Elegias, enfim, por todos os estilos e construções poéticas do Renascimento. 

 

In: J. Prado Coelho - Dicionário de Literatura

        Figueirinhas – 1978