Francisco Sá de Miranda ( 1481? - 1558? )


Nasceu em Coimbra no ultimo cartel do Séc. XV, em data ainda não averiguada; de qualquer modo, antes de 1490.
Frequentou, muito provavelmente, a Universidade, que então se encontrava em Lisboa, e aí deve ter obtido o título de Doutor: assim aparece designado no Cancioneiro Geral onde colabora.
Em 1521, empreende uma viagem à Itália e por lá permanece até 1526.
Pouco tempo depois do seu regresso, retira-se da corte e instala-se na Quinta das Duas Igrejas, na margem esquerda do Rio Neiva. Em 1530 já se encontra casado com D. Briolanja de Azevedo. Mais tarde, transita para a Quinta da Tapada. Nestes dois retiros Minhotos é que decorre a época mais fecunda da sua vida, ensombrada, na fase final, por pungentes desgostos familiares ( em 1555, morre-lhe a mulher e, dois anos antes, morrera-lhe o filho primogénito em Ceuta).
Por outro lado dolorosamente o atingem os sucessivos falecimentos do Príncipe D. João(1554), do Infante D. Luís (1555) e de El-Rei D. João III (1557), príncipes e monarcas a quem o ligavam sentimentos da fidelidade mais pura e mais desassombrada, e de quem recebera testemunhos do maior apreço.
Para bem compreendermos as inovações mirandinas, há que ter presente a saturação (…) de um tipo de poesia palaciana, formalmente uniformizada (…) As suas tentativas inovadoras, viriam a desenvolver-se nos seguintes planos: introdução da comédia em prosa; introdução, e progressiva aclimatação à língua portuguesa, de um novo metro (o decassílabo), de novas estruturas estróficas (o terceto, a oitava, o soneto), de novos subgéneros líricos (a carta, a canção, a elegia, a écloga).

In: Cantares dos Trovadores Galego - Portugueses de Natália Correia - Editorial Estampa - 1970