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| ALEXANDRE
O´NEILL (1924-1986) Escritor e poeta português, foi um dos fundadores do
Grupo Surrealista de Lisboa (1947), juntamente com Mário Cesariny de
Vasconcelos, que conhecera em 1945 no café “A Cubana”. Em 1949 participou
na I Exposição do Grupo Surrrealista, ao lado de António Dacosta, António
Pedro, Fernando de Azevedo, João Moniz Pereira, José – Augusto França
e Vespeira. Na capa do catálogo, em que fora censurado um texto apelando
ao voto contra o fascismo, figurava apenas o traço do lápis azul da
Censura, e a exposição foi encerrada logo depois pela polícia. Foi também
em 1949 que O´Neill publicou na colecção “Cadernos Surrealistas” o volume
A Ampola Miraculosa, uma sequência narrativa formada por recortes
legendados. Em 1951 foi editado o primeiro livro de poemas do autor.
Intitulava-se Tempo de Fantasmas e ocupava integralmente o fascículo
11 da revista Cadernos de Poesia. Com ele se demarcava O´Neill do Surrealismo,
explicitando num “Pequeno aviso do autor ao leitor” as razões do seu
abandono: o impasse em que caíra a “aventura surrealista”, reduzida
“às alegres actividades de dois ou três incorrigíveis pequenos aventureiros”,
o seu alheamento “dos verdadeiros problemas do seu meio” e o seu excessivo
formalismo. O balanço judicativo que este “Pequeno aviso” encerra vem
assim juntar-se a outros textos de auto-avaliação (nomeadamente da autoria
de Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e Mário Cesariny de Vasconcelos)
que, mais cedo ou mais tarde, e no âmbito do próprio movimento, puseram
em causa a viabilidade do projecto surrealista e exprimiram a consciência
de uma “revolução” falhada. In: Biblos- Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa – 1995 |