Fernando Pessoa
Manuel da Fonseca
José Gomes Ferreira
Alexandre O'Neill
Camilo Pessanha
José de Almada Negreiros
Eugénio de Andrade
Florbela Espanca
Drummond de Andrade
António Botto
Rui de Noronha
Cesário Verde
Antero de Quental
António Aleixo
Miguel Torga
Manuel Alegre
Sebastião da Gama
António Gedeão
Teresa Rita Lopes
Sofia de Mello-Breyner
José Fanha
Jorge de Sena
Joaquim Namorado
Vitorino Nemésio
Egito Gonçalves
José Régio
Reinaldo Ferreira
Rui Knoply
Mário de Sá-Carneiro

 

JOSÉ Sobral de ALMADA-NEGREIROS (1893-1970)

Artista plástico e escritor português, natural de São Tome e Príncipe. Estudou no colégio jesuíta de Campolide e na Escola Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Retomou posteriormente estudos de pintura em Paris (1919-1920).
Residiu em Espanha entre 1927 e 1932 e, em 1934, casou com a pintora Sara Afonso.
Almada Negreiros, conhecido corno «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda Orpheu (de que foi co-fundador), Contemporânea, Athena, Portugal Futurista e Sudoeste (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais na gare marítima de Lisboa, Os trabalhos para a igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa. Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu-se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado. Como escritor, publicou pecas de teatro (Antes do Começar, 1919; Pierrot e  Arlequim, 1924; Deseja-se Mulher, 1928); o romance Nome do Guerra (publicado em 1938, mas escrito em 1925), considerado um dos romances fundamentais do século XX português e o primeiro em que se manifesta já a arte modernista; poemas (entre os quais A Cena do Ódio, de 1915, descrição violenta do Portugal seu contemporâneo) e uma serie de textos de critica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam-se A invenção do Dia Claro (1921), conferência sob a forma de poema, e o Manifesto «Anti-Dantas», verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, dessas varias vertentes - plástica, gráfica e poética.
Artista da novidade e da provocação, entendendo o século XX como um recomeçar, atento à busca de urna unanimidade universal e profundamente marcado pela herança e o sentido da civilização europeia, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX. Artísticamente activo ao longo de toda a sua vida. O seu valor foi reconhecido por inúmeros prémios.

In: Enciclopédia Universal Multimédia - Texto Editora 1999