Fernando Pessoa
Manuel da Fonseca
José Gomes Ferreira
Alexandre O'Neill
Camilo Pessanha
José de Almada Negreiros
Eugénio de Andrade
Florbela Espanca
Drummond de Andrade
António Botto
Rui de Noronha
Cesário Verde
Antero de Quental
António Aleixo
Miguel Torga
Manuel Alegre
Sebastião da Gama
António Gedeão
Teresa Rita Lopes
Sofia de Mello-Breyner
José Fanha
Jorge de Sena
Joaquim Namorado
Vitorino Nemésio
Egito Gonçalves
José Régio
Reinaldo Ferreira
Rui Knoply
Mário de Sá-Carneiro

 

PARA O MIA COUTO

José Fanha

Elefantemos portanto.

Deixemos esta tão precária pele
Aprender outros saberes

Deixemos
Portantomente
O olhar do paquiderme
Ensinar ao passarinho
As paisagens do deslumbre
Das escritas mais antigas.

Permitamos que o vento sopre.
E que a pedra exista.
E que o sol dispare a sua fúria
Em todas as direcções.
E que a lua se entretenha
No seu jogo de brilhar.

Elefantemos portanto.

Ou,
Melhor dizendo,
Permitamos que um silêncio muito antigo
Venha
Carregado de silvos e sussurros
Venha
Conduzir-nos a palavra
Pelas veredas impalpáveis
Do mistério.