RUI
de NORONHA (1909-1943)
Escritor moçambicano,
assinou-se também António Ruy de Noronha e Carranquinha de Aguilar.
Tendo feito os estudos liceais em Maputo, entrou para o funcionalismo
público, onde trabalhou nos Caminhos de Ferro e na Divisão de
Fiscalização de Nampula, exercendo simultaneamente o jornalismo.
O Brado Africano, O Mundo Português,
África Magazine, Miragem, Moçambique
e Notícias do Bloqueio estamparam os seus textos
de crítica literária e os seus poemas, parte dos quais foram reunidos
sob o título Sonetos, no ano da sua morte, em edição
póstuma, ficando inéditos os seus contos.
Incluído em inúmeras antologias estrangeiras – na Rússia, na República
Checa, na Holanda, na Itália, nos EUA, na França, na Argélia,
na Suécia, no Brasil e em Portugal – Rui de Noronha celebrizou-se
pelo poema “Quenguelequezée …” – cujo título é um grito característico
do rito de passagem do cu-iandla, no qual se mostra à lua
nova a criança recém-nascida, para que ela se transforme em pessoa
(…).
(…) O ritmo de Augusto Gil (…) em “Passas leve …”, lembrar à negra
a sua condição de sujeito, reescrever a história de Gungunhana
e Mouzinho de Albuquerque, de lançar ao que é africano um olhar
despido do pitoresco, ou de, num tom que ainda está longe dos
poemas dos seus compatriotas dos anos 60, lamentar a sorte do
negro, tornando-se, assim, um dos precursores da literatura moçambicana,
reconhecido por poetas da negritude, como Noémia de Sousa que,
em sua homenagem, escreve “Poema para Rui de Noronha”.
In: Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas
de Língua Portuguesa - 1995
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