Poeta popular, quase analfabeto, tendo sido pastor, servente de pedreiro e cauteleiro. Nesta última profissão, de terra em terra, de feira em feira, encontrou o ambiente inspirativo para desenvolver os dotes invulgares de fazedor de quadras de sabor aforismático e profundamente popular, a traduzirem forte capacidade de expressão sintética de conceitos com conteúdo de pensamento moral. Que esperança será aquela/Que sinto desde criança/Que ainda dou restos dela/Aos que já não têm esperança?! O tom dolorido, emanando de uma certa visão amarga da existência, com ironia por vezes mordente, traz-nos o eco da vida difícil que ao poeta foi dado viver. O Destino, por ser forte,/esta má sorte me deu/de ter de vender a sorte/ aos mais felizes do que eu.
Os títulos que compõem a obra de António Aleixo têm sido reeditados e desde 1969 aparecem reunidos em Este Livro que Vos Deixo , a que posteriormente (1984) se juntou um volume de Inéditos.
In: Bibllos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua
Portuguesa - 1995