Escritor português com uma actividade actividade cultural
desenvolvida sobretudo a partir da cidade do Porto: é editor, no domínio do
livro de poesia, está ligado á direcção de revistas como A Serpente (1951),
Árvore (1951-1953), Notícias do Bloqueio (1957 – 1962) ou Limiar
(iniciada em 1992), publica várias traduções de romancistas e poetas estrangeiros,
desenvolve actividades teatrais e ligadas ao movimento cineclubista.
Como poeta, a sua obra tende para o estabelecimento de
um equilíbrio entre duas tendências que se afirmaram nas décadas de 40 e 50:
o neo – realismo e o surrealismo. Da primeira destas tendências – muito marcada
em Os Arquivos do Silêncio (1963) e na recolha antológica Poemas
Políticos (1980) . Egito Gonçalves recupera um sentido de intervenção,
por vezes desfocado por uma muito viva expressão irónica; da segunda, a maneira
como na poesia se pode valorizar a imaginação, sem que, no entanto, a sua linguagem
enverede por experiências associativas surrealizantes, pela escrita automática,
etc. Quanto a este aspecto, Egito Gonçalves mostra-se sempre preocupado em construir
o poema (“construo os meus poemas, com as imagens adorno-os”), dando-lhes uma
configuração bem delineada ou estruturada. Aproxima-se, assim, daqueles poetas
que nos anos 50 – o seu primeiro livro, Poema para os Companheiros da
Ilha, é de 1950 – começam a revelar uma especial atenção quanto ao papel
que a linguagem desempenha na economia da própria criação poética, sobretudo
através da utilização da metáfora e da imagem. Isto leva-o a estar atento a
uma certa viragem que na poesia portuguesa ocorre durante a década de 60, orientando-se
essa viragem para um tipo de escrita poética que reage contra a discursividade
– característica esta comum a muitos textos surrealistas e neo-realistas -,
contra uma figuração expansiva procurando, antes, uma linguagem o mais depurada
possível, elíptica, por vezes fragmentada.(…)
In: Bibllos -
Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa - 1995