MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO (1890-1916)
Escritor português, natural de Lisboa. Matriculou-se
na Faculdade de Direito de Coimbra em 1911, mas não chegou sequer a concluir
o ano. Em 1912, publicou duas obras: a peça de teatro Amizade (de parceria
com Tomás Cabreira Júnior) e as novelas reunidas sob o título Principio.
Nesse mesmo ano, seguiu para Paris, onde deveria estudar direito, mas dedicou-se
sobretudo à vida de boérnia dos cafés e salas de espectáculo da capital francesa.
No ano seguinte, durante urna passagem por Lisboa, publicou A Confissão de
Lúcio (prosa narrativa) e, em 1914, Dispersão (poemas). Nesse
mesmo ano regressou a Paris. Em 1915, era um dos membros do grupo de Orpheu,
revista em que colaborou. A crise interior que o afectava levou-o, em 1916,
ao suicídio.
Como escritor, Mário de Sá-Carneiro demonstra, na fase inicial da sua obra,
influências do decadentismo e até do saudosismo, numa estética do vago, do complexo
e do metafísico; aderiu posteriormente às correntes de vanguarda do paulismo,
do sensacionismo e do interseccionismo, apresentadas por Fernando Pessoa, de
quem era amigo. O delírio e a confusão dos sentidos, marcas da sua personalidade,
sensível ao ponto da alucinação, com reflexos numa imagística exuberante, definem
então a sua egolatria, uma procura de exprimir o inconsciente e a dispersão
do eu no mundo. Este narcisismo, frustrada a satisfação das suas carências,
levou-o a um sentimento de abandono e a uma poesia auto-sarcástica, revendo-se
o poeta na imagem de um menino inútil e desajeitado. A sua crise de personalidade,
que se traduziu no frenesim da experiência sensorial e no desejo do extravagante,
foi a da inadequação e da solidão, da incapacidade de viver e de sentir o que
desejava, levando a uma tentativa de dissolução do ser consumada na morte.
Para além das obras já referidas, foi autor de Céu em Fogo (1915) e do
volume póstumo Indícios de Ouro (1937). As suas Cartas a Fernando
Pessoa foram reunidas em volume em 1958 e 1959.
In: Enciclopédia Universal Multimédia - Texto Editora 1999