Escritor moçambicano, assinou-se também António Ruy de Noronha e Carranquinha de Aguilar. Tendo feito os estudos liceais em Maputo, entrou para o funcionalismo público, onde trabalhou nos Caminhos de Ferro e na Divisão de Fiscalização de Nampula, exercendo simultaneamente o jornalismo. O Brado Africano, O Mundo Português, África Magazine, Miragem, Moçambique e Notícias do Bloqueio estamparam os seus textos de crítica literária e os seus poemas, parte dos quais foram reunidos sob o título Sonetos, no ano da sua morte, em edição póstuma, ficando inéditos os seus contos.
Incluído em inúmeras antologias estrangeiras – na Rússia, na República Checa,
na Holanda, na Itália, nos EUA, na França, na Argélia, na Suécia, no Brasil
e em Portugal – Rui de Noronha celebrizou-se pelo poema “Quenguelequezée …”
– cujo título é um grito característico do rito de passagem do cu-iandla,
no qual se mostra à lua nova a criança recém-nascida, para que ela se transforme
em pessoa (…).
(…) O ritmo de Augusto Gil (…) em “Passas leve …”, lembrar à negra a sua condição
de sujeito, reescrever a história de Gungunhana e Mouzinho de Albuquerque, de
lançar ao que é africano um olhar despido do pitoresco, ou de, num tom que ainda
está longe dos poemas dos seus compatriotas dos anos 60, lamentar a sorte do
negro, tornando-se, assim, um dos precursores da literatura moçambicana, reconhecido
por poetas da negritude, como Noémia de Sousa que, em sua homenagem, escreve
“Poema para Rui de Noronha”.
In: Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa - 1995