AGORA QUE MORRESTE    MÃE

Teresa Rita Lopes


Agora que morreste  Mãe
E só em mim te tenho
Sou mais que o meu tamanho
Porque sou tu também
Tuas mãos afagam as minhas mãos
De quem são estes gestos esta pele?
Nunca me deste irmãos
Só contigo reparto o meu farnel
De quotidianos fardos e alegrias
Breves e desta brasa em chaga
Que é a tua ausência nos meus dias
Órfãos mas sempre ao colo desta mágoa
De não te ter   de te ter sido esquiva
De não te ter nunca aberto as portas
Do meu ser de nunca te ter dado   vivas
O que hoje já só são carícias mortas