Por Mares...

A partida das naus

Pelas  praias vestidos os soldados
De várias cores vêm e várias artes,
E não menos de esforço aparelhados
Para buscar do mundo novas partes.
Nas fortes naus os ventos sossegados
Ondeiam os aéreos  estandartes;
Elas prometem, vendo os mares largos,
De ser no Olimpo estrelas, como a de Argos.

Depois de aparelhados, desta sorte,
De quando tal viagem pede e manda,
Aparelhámos a alma para a morte,
Que sempre aos nautas ante os olhos anda.
Para o sumo Poder, que a etérea Corte
Sustenta só co´a vista veneranda,
Implorámos favor que nos guiasse
E que nossos começos aspirasse.

Partimo-nos assi do santo templo
Que nas praias do mar está assentado,
Que o nome tem da terra, para exemplo,
 Donde Deus foi em carne ao mundo dado.
Certifico-te, ó Rei, que se contemplo
Como fui destas praias apartado,
Cheio dentro de dúvida e receio,
Que apenas nos meus olhos ponho o freio.

A gente da cidade, aquele dia,
(Us por amigos, outros por parentes,
Outros por ver somente) concorria,
Saudosos na vista e descontentes.
E nós, co´a virtuosa companhia
De mil religiosos  diligentes,
Em procissão solene, a Deus orando,
Para os batéis viemos caminhando.

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