Pelas praias vestidos os soldados De várias cores vêm e várias artes, E não menos de esforço aparelhados
Para buscar do mundo novas partes. Nas fortes naus os ventos sossegados Ondeiam os aéreos estandartes; Elas prometem, vendo os mares largos, De ser no Olimpo estrelas, como a de Argos.
Depois de aparelhados, desta sorte, De quando tal viagem pede e manda, Aparelhámos a alma para a morte, Que sempre aos nautas ante os olhos anda. Para o sumo Poder, que a etérea Corte
Sustenta só co´a vista veneranda, Implorámos favor que nos guiasse E que nossos começos aspirasse. Partimo-nos assi do santo templo Que nas praias do mar está assentado,
Que o nome tem da terra, para exemplo, Donde Deus foi em carne ao mundo dado. Certifico-te, ó Rei, que se contemplo Como fui destas praias apartado, Cheio dentro de dúvida e receio,
Que apenas nos meus olhos ponho o freio. A gente da cidade, aquele dia, (Us por amigos, outros por parentes, Outros por ver somente) concorria, Saudosos na vista e descontentes.
E nós, co´a virtuosa companhia De mil religiosos diligentes, Em procissão solene, a Deus orando, Para os batéis viemos caminhando. |