Por Mares...

Dona Maria do Mar

Ela era filha dum rei,
Chamada dona Maria:
Amava um capitão
Pelo bem que ele lhe queria.
Seu pai, tanto que o soube
Dava-lhe tanta má vida,
Dava-lhe o pão por onça,
E a agua por medida.
Mandou botar um pregão
Por toda a cidade acima:
Calafates, carpinteiros
Se ajuntassem nesse dia,
Para fazer uma nau
Para ir dona Maria.
Calafates eram muitos,
Deram-na feita num dia:
Meteram-lhe mantimentos
Para sete anos e um dia,
Deitaram-na nesses mares
Sem vela nem remaria.
Dona Maria foi nela,
Só, sem a mais companhia.
Chegou lá a uma terra
Onde gente não havia,
Senão um ermitão santo
Que vida santa fazia.

-- Quem te trouxe aqui, mulher,
Para me perder em vida?

Estando o rei à janela
À hora do meio-dia,
Vira entrar uma nau,
Sem vela nem remaria.

-- Dizei-me que nau é aquela,
Que entra sem licença minha?
--É vossa filha senhor,
Chamada dona Maria.

Música