"Até´qui, Portugueses, concedido Vos é saberdes os futuros feitos Que, pelo mar que já deixais sabido,
Virão fazer barões de fortes peitos. Agora, pois que tendes aprendido Trabalhos que vos façam ser aceitos Ás eternas esposas e formosas, Que coroas vos tecem gloriosas,
"Podeis-vos embarcar,que tendes vento E mar tranquilo, para a Pátria amada." Assi lhe disse; e logo movimento Fazem da ilha alegre e namorada. Levam refresco e nobre mantimento; Levam a companhia desejada
Das Ninfas, que hão-de ter eternamente, Por mais tempo que o Sol o mundo aquente. Assi foram cortando o mar sereno, Com vento sempre manso e nunca irado, Até que houveram vista do terreno
Em que nasceram, sempre desejado; Entraram pela foz do Tejo ameno E à sua Pátria e Rei temido e amado O prémio e glória dão por que mandou E com títulos novos se ilustrou.
Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho,
Não no dá a Pátria, não,que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Dua austera, apagada e vil tristeza. |