A cãndida cecém, das matutinas Lágrimas rociada, e a manjerona; Vêem-se as letras nas flores hiacintinas,
Tão queridas do filho de Latona. Bem se enxerga nos pomos e boninas Que competia Clóris com Pomona. Pois, se as aves no ar cantando voam, Alegres animais o chão povoam.Ao longo da água o níveo cisne canta;
Responde-lhe do ramo filomela; Da sombra de seus cornos não se espanta Actéon, na água cristalina e bela; Aqui a fugace lebre se levanta Da espessa mata, ou tímida gazela;
Ali no bico traz ao caro ninho O mantimento o leve passarinho. Nesta frescura tal desembarcavam Já das naus os segundos Argonautas, Onde pela floresta se deixavam Andar as belas Deusas, como incautas;
Alguas, doces cítaras tocavam; Alguas, harpas e sonoras flautas; Outras, co´os arcos de ouro se fingiam Seguir os animais, que não seguiam. Assi lho aconselhara a mestra esperta:
Que andassem pelos campos espalhadas; Que, vista dos barões a presa incerta, Se fizessem primeiro desejadas. Alguas, que na forma descoberta Do belo corpo estavam confiadas, Posto a artificiosa formosura,
Nuas lavar-se deixam na água pura. |