Por Mares...

A ilha das Ninfas

A cãndida cecém, das matutinas
Lágrimas rociada, e a manjerona;
Vêem-se as letras nas flores hiacintinas,
Tão queridas do filho de Latona.
Bem se enxerga nos pomos e boninas
Que competia Clóris com Pomona.
Pois, se as aves no ar cantando voam,
Alegres animais o chão povoam.

Ao longo da água o níveo cisne canta;
Responde-lhe do ramo filomela;
Da sombra de seus cornos não se espanta
Actéon, na água cristalina e bela;
Aqui a fugace lebre se levanta
Da espessa mata, ou tímida gazela;
Ali no bico traz ao caro ninho
O mantimento o leve passarinho.

Nesta frescura tal desembarcavam
Já das naus os segundos Argonautas,
Onde pela floresta se deixavam
Andar as belas Deusas, como incautas;
Alguas, doces cítaras tocavam;
Alguas, harpas e sonoras flautas;
Outras, co´os arcos de ouro se fingiam
Seguir os animais, que não seguiam.

Assi lho aconselhara a mestra esperta:
Que andassem pelos campos espalhadas;
Que, vista dos barões a presa incerta,
Se fizessem primeiro desejadas.
Alguas, que na forma descoberta
Do belo corpo estavam confiadas,
Posto a artificiosa formosura,
Nuas lavar-se deixam na água pura.

Música