Por Mares...

Levantar ferro

A grande nau Catrineta
Tem os seus mastros de pinho;
Olé, olé, olé,
Marujinho bate o pé.
O ladrão do despenseiro
Furtou a ração do vinho;
Olé, olé, olé,
Marujinho vira a ré.

Antes de caçar as gáveas,
Põe-se o ferro sempre a pique;
Olé, olé, olé,
Todos sabem o que é.
Para a nau ficar a nado
Abrem-se as portas ao dique;
Olé, olé, olé,
Venham todos para a ré.

Quando as gáveas vão nos rizes
Ala, ala, talha os lais,
Olé, olé, olé,
Cada qual mostra o que é.
Sobem dois a imprimir,
A rizar sobem os mais;
Olé, olé, olé,
Moçambique, S. Tomé.

Quando o barco faz cabeça
Venham todos, iça a giba;
Olé, olé, olé,
Quem é mouro não tem fé.
Quando ele arranca o ferro,
Vira então e leva arriba;
Olé, olé, olé,
Vá depressa que é maré.
Quando entra o quarto d´alva,
Marujinho mata o bicho;
Olé, olé, olé,
Vê se foges, passa o pé.
Antes de lavar o convés,
Varre o moço apanha o lixo;
Olé, olé, olé,
Quem te dá amigo é.

Todo o barco que anda à costa
Caça outro que se veja;
Olé, olé, olé,
Valha-me aqui S. José.
Todo o moço quando serve
Caça a isca na bandeja;
Olé, olé, olé,
Muito preto tem Guiné.

Inda está para nascer
A mulher que m´enganar!
Olé, olé, olé,
Já é dia, põe-te a pé.
O marujo, quando morre,
Vai para o fundo do mar;
Olé, olé, olé,
Assim mesmo é que é

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