Por Mares...

Africa à vista

Co´os outros dous, o carro radiante,
Quando a terra alta se nos foi mostrada
Em que foi convertido o grão Gigante.
Ao longo desta costa, começando
Já de cortar as ondas do Levante,
Por ela abaixo um pouco navegámos,
Onde segunda vez terra tomámos.

A gente que esta terra possuía,
Posto que todos etíopes eram,
Mais humana no trato parecia
Que os outros que tão mal nos receberam;
Com bailes e com festas de alegria
 Pela praia arenosa a nós vieram,
As mulheres consigo e o manso gado
Que apresentavam, gordo e bem criado.

As mulheres, queimadas, vêm em cima
Dos vagarosos bois, ali sentadas,
Animais que elas têm em mais estima
Que todo o outro gado das manadas.
Cantigas pastoris, ou prosa ou rima.
Na sua língua cantam, concertadas
Com o doce som das rústicas avenas,
Imitando de Títiro as camenas.

Estes, como na vista prazenteiros
Fossem, humanamente nos trataram,
Trazendo-nos galinhas e carneiros
A troco doutras peças que levaram;
Mas, como nunca enfim meus companheiros
Palavra sua algua lhe alcançaram
Que desse algum sinal do que buscamos,
As velas dando, as âncoras levamos.

Música